CONSELHO DE CLASSE – MOMENTO DE DIAGNÓSTICO – Danilo Gandin e Carlos H. Carrilho Cruz

Cada vez mais faz-se necessário ressignificar a dinâmica dos Conselhos de Classe considerando-se que o plano de ação dos educadores deve propor, como referencial de trabalho, a exigência de um diagnóstico inicial e contínuo, de onde se deve extrair as necessidades que darão origem à programação, não aceitando, assim, conteúdos “preestabelecidos”, sinalizando, desta forma, uma mudança de eixo nas práticas de avaliação e, consequentemente, no próprio Conselho de Classe.

Considerando o conceito de avaliação vinculado a um processo de trabalho que visa ajudar o aluno a ir se construindo como pessoa humana, se instrumentalizando para uma participação social crítica, assumindo um compromisso social amplo e se relacionando com a transcendência, não é possível admitir avaliar como o domínio de conteúdos preestabelecidos para passar de ano.

Não se pode propor que se reúnam os professores para entregarem as notas/conceitos dos alunos e muito menos para dizerem “como está o Manoel”, “se ele vai repetir de ano” ou “Joãozinho é indisciplinado” ou “Maria é desatenta” ou “deve estar havendo alguma coisa na família do Marcelo”. Se for para isso, economizemos tempo enviando relatórios, com estas observações, para o Serviço de Orientação Pedagógica e Educacional e as notas para a secretaria e não façamos mais Conselhos de Classe.

O Conselho é um espaço de DIAGNÓSTICO do processo educativo que a escola desenvolve e, como tal, deve ser um juízo sobre a realidade do professor e do aluno, à luz do plano de ação das disciplinas, áreas de estudo ou série. Portanto, este momento faz parte de um processo, ou seja, um Conselho de Classe deve ter relação direta com o processo de avaliação de que é parte, não podendo ser um ato isolado do contexto educativo: é um juízo emitido pelo conjunto de professores de uma turma sobre a realidade à luz do plano de ação do professor, da série, do segmento, da instituição.

A realidade sobre a qual se dá tal julgamento é a realidade do professor (suas relações interpessoais com a turma, a metodologia que emprega e outros aspectos significativos) e a realidade dos alunos (sua busca de identidade, seu empenho na instrumentalização para a participação e para o compromisso social, sua aceitação da transcendência). Esse juízo deve indicar as causas do que está indo mal e/ou as hipóteses de causas a que os professores atribuem os problemas em sua atuação e na atuação dos alunos.

Pontuar que o aluno é indisciplinado, está desatento, conversa muito ou está apático é a mesma coisa que ir ao médico e ser confirmado por ele que tem os sintomas que foram relatados pelo próprio paciente. Consulta-se um médico para saber as causas do que se está sentindo e o que se deve fazer para superar o problema. Dependendo da gravidade do problema o médico convoca uma junta médica para ajudá-lo a buscar a melhor solução para o problema. Neste sentido, é correto afirmar que o Conselho de Classe está para os professores assim como a Junta Médica está para os médicos.

O aluno já sinalizou, durante todo o bimestre, por palavras, atos e omissões, que está apático, desinteressado e não cumpre as tarefas. O que interessa ao Conselho é que o grupo de professores descubra o porquê dele estar agindo desta forma assim como onde é que a ação do professor, a linha de trabalho e a estrutura da escola podem estar sendo geradoras dos problemas.

Do estudo pelo grupo dessas e de outras questões é que surgirão as NECESSIDADES que darão aos professores elementos para a programação do trabalho pedagógico do bimestre seguinte e, no caso do último bimestre, do ano letivo seguinte. Daí deverão surgir objetivos, estratégias e normas que se constituirão na prática que o grupo vai desencadear.

É importante ressaltar que cada Conselho de Classe tem uma especificidade e, a partir destes objetivos é que todas as ações deverão ser norteadas. Daí a importância de clarificar estes objetivos:

O Conselho do 1o bimestre é basicamente para diagnosticar as características específicas do grupo de alunos em questão a fim de agir de forma preventiva no foco do que poderiam ser futuros problemas;

No Conselho do 2o bimestre já são conhecidas as necessidades, já foram elencados os objetivos a atingir e já foram implementadas estratégias para minimizar e até mesmo resolver a problemática apresentada, cabe então chocar o que deu resultado e redimensionar as ações;

O Conselho de Classe do 3o bimestre deve sinalizar toda trajetória construída, todos os avanços alcançados como também as dificuldades que persistem e as novas que por ventura surgiram neste período, é um conselho crucial no processo ensino-aprendizagem pois é um momento de reflexões profundas no sentido de avaliar e auto-avaliar toda dinâmica do trabalho objetivando redimensioná-la, uma vez que só temos mais um bimestre de atividades;

O 4o bimestre é o momento de “bater o martelo”, de analisar todos os avanços e dificuldades de cada aluno e construir um juízo no sentido de aprová-los ou reprová-los. É preciso estar muito consciente de todas as consequências deste momento para a vida do aluno, ter critérios muito claros nesta tomada de decisão, enfim, agir com muita responsabilidade e coerência ao promover ou reter um aluno. É necessário lembrar ainda que este Conselho deve fornecer os elementos fundamentais para a programação do trabalho pedagógico com estes alunos no ano seguinte.

Podemos afirmar então que o Conselho de Classe deve ser registrado por escrito, por cada professor, pois vai constituir elemento importante para o DIAGNÓSTICO do plano de sala de aula que está se desenvolvendo. Se a escola investir tempo suficiente na prática do Conselho de Classe como está aqui proposto, os professores já terão o plano praticamente reelaborado após o Conselho.

A estrutura proposta, além de transformar o Conselho em instrumento de crescimento da consciência crítica dos professores, confere à ação educativa um rigor metodológico e uma dimensão participativa que são instrumentos efetivos das transformações necessárias para a construção da efetiva cidadania.

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